Durante o levantamento do acervo de partituras, esboços e rascunhos deixados
por Beethoven, uma descoberta causou furor:
três cartas de amor, endereçadas
a uma mulher identificada por Beethoven apenas como "Minha Amada Imortal".
A busca pela elucidação da identidade da misteriosa "Amada
Imortal" de Beethoven logo ganhou as ruas. A primeira suposição
partiu de Anton Schindler, que havia declarado ser a condessa Giulietta Guicciardi
a "Amada". Tal conclusão logo cairia por terra, ao descobrir-se
que Schidler inserira de próprio punho a data de 1806 nas cartas, de forma a corroborar a sua tese. Muitos anos se passaram até que Ludwig Nohl e, especialmente, Alexander W. Thayer aprofundassem
o tema, sugerindo outras possibilidades. Agora, as suspeitas recaíam sobre
Therese von Brunswik (1775-1861), embora não houvesse indícios suficientes
para corroborar tal suposição. Em 1890, a descoberta de um livro
escrito por Therese Malfatti (1792-1851) causou enorme alvoroço. Nele,
ela relatava o seu romance e até mesmo os seus "esponsais secretos"
com o compositor, que teriam acontecido em 1806. A obra teve grande divulgação
e chegou a ser aceita por vários estudiosos, até que se descobriu
tratar-se de uma invenção de Therese. Com o novo século a
investigação prosseguiu e ganhou ares mais científicos com
os estudos de O. G. Sonneck, W. A. Thomas-San-Galli, Max Unger, La Mara, Siegmund
Kaznelson, Harry Goldshmidt e Romain Rolland, entre outros. Porém, não
se chegou a uma solução definitiva do mistério. Há
os que defendem a tese, levantada pelo biógrafo Maynard Solomon, de que
Antonie Brentano (1780-1869) seria a destinatária das misteriosas cartas,
enquanto outros sustentam que a condessa Josephine Deym (1779-1821) seria a verdadeira
"amada". Versões cinematográficas sobre o tema surgiram
na última década, mostrando como se mantém ainda viva a demanda
pela compreensão do mistério. O século vinte e um chegou,
portanto, sem que o enigma da "Amada Imortal" houvesse encontrado uma
elucidação.
Saiba mais...
Uma introdução à leitura de "A Gruta"
Original das cartas em alemão (Fonte Beethoven-Haus, Bonn)
A busca pela Amada Imortal de Beethoven (Artigo de M. R. Menezes © 2007)
A tese Antonie Brentano (Artigo de M. R. Menezes © 2007)
O manifesto da "Gruta"
A profecia de Waldstein (Artigo de M. R. Menezes © 2007)
O enigma das frases anotadas por Beethoven (Artigo de M. R. Menezes © 2007)
Breve mais artigos.
O mistério do retrato da mulher desconhecida
Durante o levantamento do acervo de partituras, esboços e rascunhos deixado
por Beethoven, uma outra descoberta
- um pequeno retrato gravado em marfim encontrado
na gaveta secreta da escrivaninha de trabalho do compositor - acabou por receber
pouca atenção. O retrato era de uma mulher desconhecida no círculo
de amigos do compositor e o assunto logo caiu no esquecimento. Stephan von Breuning
(1774-1827), amigo de Beethoven, logo adquiriu o retrato, que ficou com os Breuning
por bastante tempo, até ser passado adiante e chegar finalmente às
mãos do grande colecionador de arte, o médico suíço
Hans Conrad Bodmer (1891-1956). O retrato havia sido superficialmente identificado,
por A. C. Kalischer, como sendo da condessa Anna Marie Erdödy (1779-1837),
amiga de Beethoven a partir de 1803. O pesquisador Stefen Ley teve então
a idéia de investigar melhor o retrato da mulher desconhecida, então
de posse do doutor Bodmer. Ley o confrontou com um retrato autenticado da condessa
Erdödy, de posse de sua bisneta, em Viena. O pesquisador verificou então
ser inteiramente falsa essa identificação. Pesquisando nos arquivos
de Viena, ele confrontou a imagem da mulher misteriosa com a de todas as mulheres
pertencentes ao círculo conhecido de amizades do compositor. Ao final de
sua investigação, o pesquisador declarou:
"Este seguramente
é o retrato de uma desconhecida. A possibilidade ou, de fato, a probabilidade
é de que tenhamos aqui um retrato da Amada Imortal." Anos mais tarde,
em seu testamento, o colecionador H. C. Bodmer deixaria toda a sua vasta coleção
de objetos relativos a Beethoven (incluindo o misterioso retrato) para a Beethoven-Haus,
museu dedicado à memória do compositor, erguido em sua casa natal,
em Bonn, na Alemanha, no final do século XIX. Em 2002, o retrato da mulher
desconhecida recebeu uma cuidadosa restauração, estando hoje na
sala de número nove do museu, junto com a coleção Bodmer,
à disposição de todos que o queiram conhecer, agora recomposto
em suas cores originais.
Saiba mais...
O Misterioso retrato (Retrato original, fonte Beethoven-Haus, Bonn e Artigo de M. R. Menezes © 2007)
Breve mais artigos.
Elucidando o mito da Amada Imortal
O pequeno retrato gravado em marfim, encontrado na gaveta secreta da escrivaninha de trabalho de Beethoven, de uma mulher desconhecida, mais as três cartas de amor, endereçadas a uma mulher identificada pelo compositor apenas como “Minha Amada Imortal”, formaram as bases para o maestro, compositor e escritor M. R. Menezes, compor sua obra A Gruta – Memórias da Amada Imortal.
Após uma década e meia de pesquisas e estudos, o autor nos leva ao cerne do
“Mito da Amada Imortal”. Para ele, a questão há muito deixou de ser um tema meramente biográfico para se aventurar no terreno dos arquétipos femininos da humanidade.
Escrito entre 2004 e 2007, o livro permite ao leitor mergulhar no universo musical da virada do século XVIII para XIX e descobrir as bases espirituais que fizeram da música de Mozart e Beethoven o modelo da arte musical clássica. O romance tem como objetivo fazer uma amálgama e uma síntese dos principais temas beethovenianos e mozartianos, tendo como centro a questão da identidade da misteriosa "Amada Imortal" de Beethoven.
O autor acredita que a necessidade de uma abordagem mítica para o tema da "Amada Imortal" de Beethoven já estava presente desde o início do mistério das cartas.
A Gruta pode ser compreendida como uma jornada em busca do amor verdadeiro. O livro nos conta a jornada de uma mulher vivendo num tempo de grandes transformações sociais e posta diante de um desafio: encontrar o caminho da união entre a alma mortal e imortal, o amor terreno e espiritual. Como pano de fundo a música de
A Flauta Mágica de Mozart e de
Fidélio de Beethoven.
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Saiba
mais sobre a Gruta (destaques) |
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Cenas
ilustradas do romance (filme e texto): |
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Promoção de Natal
- Sorteio de 3 exemplares do romance "A Gruta".
Dia 21/12. |
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