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Em 27 de novembro de 1800, Constanze Mozart, viúva de W. A. Mozart, enviou ao editor Breitkopf & Härtel, em Leipzig, uma carta em que mencionava um plano redigido por seu marido para uma nova sociedade secreta que ele desejara fundar, sob o nome de “A Gruta”.
Mozart chegara a redigir os estatutos e as obrigações dos membros, porém, o projeto não chegou a se concretizar por causa de sua morte prematura. Os documentos escritos por ele de próprio punho se perderam e apenas sabemos de seu propósito devido a essa carta, na qual Constanze se referia ao assunto nos seguintes termos:
Por ser tal manuscrito contemporâneo de “A Flauta Mágica”, o maestro e escritor M. R. Menezes supôs que o que W. A. Mozart houvesse cogitado criar não seria uma ordem convencional, mas uma ordem esotérica mista, seguindo os moldes de sua ópera. Tal suposição baseia-se no fato de que sua ópera inovava não apenas por mostrar no palco abertamente a “filosofia da iluminação” mas, principalmente, por incluir o elemento “feminino” no processo iniciático, algo que era visto com reserva no meio maçônico.
“A Flauta Mágica” pode ser considerada o testamento musical e espiritual de Mozart. A idéia central sob a qual foi concebida é a questão do feminino. Mozart, que havia de certo modo “brincado” com o tema da “inferioridade” feminina em suas óperas com Da Ponte, agora assumia uma postura quase revolucionária a respeito da exclusão do feminino da vida culta e do espírito.
A Maçonaria, seguindo a tradição patriarcal, limitava a admissão a “homens de boa reputação”, excluindo “escravos, mulheres ou pessoas amorais ou desacreditadas”. Com a popularização das confrarias, surgira o desejo das mulheres de participarem da ordem. Para tanto, haviam sido criadas as “Lojas de Adoção”. Porém, nelas as mulheres não tinham acesso às iniciações regulares.
Tudo indica que a grande inspiração de Mozart em sua última ópera tenha sido a maçonaria Egípcia de Cagliostro, primeira tentativa de se criar uma Loja regular feminina, com iniciações. Ao apresentar Tamino e Pamina ao final da ópera, com vestes sacerdotais, Mozart deixara clara a sua intenção de valorizar o elemento feminino e colocá-lo em pé de igualdade com o masculino. Mais ainda do que valorizar o feminino, Mozart claramente pretendia valorizar o casal, não o casal profano (“Papageno” e “Papagena”), mas sim, o casal iniciado. O enredo do ópera procurava mostrar como as mulheres estariam na obscuridade (“A Rainha da Noite”) por não poderem receber as iniciações. Através do “casal iniciado” Tamino e Pamina, tal abismo poderia ser transposto.
Tudo isso levou o maestro e escritor M. R. Menezes a considerar a hipótese de que “A Gruta” seria uma tentativa de Mozart de por em prática o ideal expresso em “A Flauta Mágica”. Na obra “A Gruta - Memórias da Amada Imortal”, o autor escreve uma versão ficcional do que poderia ter sido o “Manifesto da Gruta” de Mozart:
Leituras sugeridas:
- CHAILLEY, Jacques. A Flauta Mágica. Ópera maçônica.
Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 1994.
- HAVEN, Marc. Cagliostro, o grande mestre do oculto. Editora Madras, São
Paulo, 2005.
- LANDON, H. C. Robbins (org.): Mozart: Um Compêndio. Guia completo da
música e da vida de Wolfgang Amadeus Mozart. Jorge Zahar Editor, Rio
de Janeiro, 1996.
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