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a mais uma REFLEXÃO DA "GRUTA".
Neste artigo iremos analisar como a atual crise dos mecados
financeiros aponta para a necessidade de uma reflexão sobre a natureza
dos valores humanos e do surgimento de uma nova "Bolsa de Valores
humana". Veremos como "A Gruta" retrata o surgimento do
atual sistema econômico baseado em valores negativos masculinos
e aponta uma solução pela valorização dos
bens da alma e do espírito. (M.R.M.)
Copyright do autor (2008). Caso queira reproduzir este artigo ou parte
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O recente abalo dos mercados financeiros mundiais, mais do que mero fenômeno cíclico do capitalismo, é um convite à reflexão. O que está em curso não é uma crise dos valores econômicos, mas sim, dos próprios “valores” e das “ações” humanas, o sinal da falência iminente de toda uma estrutura social que optou pelo culto ao individualismo e pela ênfase nos valores materiais em detrimento dos espirituais.
A “crise” é apenas um sinal, um sintoma que nos fornece o “paciente” (no caso, a humanidade) em busca de sua cura. A “febre” dos mercados poderá ser mascarada com o remédio paliativo da injeção de capital no sistema, porém, isso não curará a enfermidade, pois a causa (a doença) está na natureza dos nossos “valores”.
A economia da sociedade moderna está ancorada em um desequilíbrio entre os princípios feminino e masculino da alma. As origens de tal desequilíbrio se perdem na poeira dos séculos das velhas sociedade patriarcais. Porém, a “bolsa dos valores” da sociedade capitalista o levou a um nível jamais visto.
Os princípios masculino e feminino da alma humana possuem uma face harmônica e outra desarmônica. O princípio feminino, em sua face harmônica, é base dos valores maternos, coletivistas e anímicos. Em desarmonia, gera fragilidade, frivolidade, apego e vaidade. Já o princípio masculino, em sua face harmônica, nos remete à autoridade, à lealdade, à nobreza, à coragem e à justiça. Em desequilíbrio, está na base do autoritarismo, do individualismo e da ânsia de poder.
Ao valorizar e até mesmo transformar em virtude elementos desarmônicos da alma humana (como ambição, egoísmo, vaidade e ganância), a sociedade moderna desafinou a “sinfonia” social humana (que nunca foi muito afinada...) a qual rumou para a “diafonia” (dissonância). Violência, destruição da natureza, superficialidade, apego material, insensibilidade e egoísmo são marcas da sociedade atual e conseqüências de uma estrutura desequilibrada de valores.
O que se passa no mundo contemporâneo nada mais é do que a colheita dos “dividendos” de tais ações. De uma lado, a natureza dá sinais de que não suportará por muito mais tempo tamanha insensibilidade e agressão. De outro lado, o espírito humano revela, a cada dia mais, como está adoecido, angustiado, oprimido e sufocado por uma fome que cresce em sua alma, fome que nada do que há na “bolsa de valores” materialista pode suprir. Fome de beleza, de amor verdadeiro, de harmonia, de silêncio, de carinho, de verdade...
Surge inevitavelmente a pergunta: qual a solução? Em termos políticos, alguns poderão considerar a crise um sinal da derrota do capitalismo e uma oportunidade para a volta do socialismo. Entretanto, não nos esqueçamos de que na “bolsa de valores” socialista também estão “ações” que desequilibram a alma humana (como o autoritarismo, o materialismo, o ódio entre as classes e a revolta), motivo pelo qual ambos os sistemas levaram a formas diferentes de opressão.
Porém, já não é mais momento para ensinamentos espirituais... As lições já nos foram dadas. É chegada a hora, isto sim, de dar prova, o momento de colocar em prática. As mensagens dos mestres estão aí para nos ajudar. Não precisamos que Jesus re-faça o Sermão da Montanha, que Buda se assente outra vez aos pés de uma árvore e se re-ilumine diante de nós, ou que Beethoven volte e re-componha (surdo) a “Ode à Alegria”. Chegou a hora de encararmos o desafio da verdadeira mudança, que é pessoal e intransferível e vem unicamente do coração.
O que precisamos fazer? Alterar nossa Bolsa de Valores Interior. As “ações” negativas humanas precisam ser desvalorizadas e os verdadeiros “valores” humanos - a compaixão, a bondade, a misericórdia, a compreensão, a caridade, a humildade e a fé - precisam ser re-valorizados para se transformarem no “capital” com o qual construiremos um novo modelo de civilização. Nessa nova Bolsa de Valores estarão sempre em alta as ações de integrar, compartilhar e cooperar e estarão sempre em baixa as ações de segregar, acumular, competir, ocultar e amedrontar.
Mas quem irá investir em valores da alma? Isso pode soar pueril, ingênuo, incapaz de sustentar uma nova estrutura social. Afinal, ensinaram-nos que “o homem é o lobo do homem”, que a vida é regida pela lei da seleção natural dos mais fortes e só o pensamento racional é fonte de saber.
Porém, está chegando rapidamente o momento em que não teremos outra escolha senão apostarmos nos valores do ser. Infelizmente, talvez somente o façamos quando estivermos exauridos a ponto de não nos restar outra escolha. Seria muito melhor que não precisássemos chegar a tal extremo para nos rendermos à unidade no amor universal.
Uma estrutura social harmônica somente poderá surgir se baseada nos valores do espírito. Tal sociedade não será comandada pelo masculino, mas sim, por uma união harmoniosa do masculino com o feminino (o casal sagrado interior), que trará de volta os valores positivos da alma e do amor verdadeiro, reorientando o impulso masculino de ação e conquista pela bússola dos valores femininos da compaixão e da união.
Nesse novo mundo, velhos conceitos serão substituídos por novas compreensões e por novas formas de agir em sociedade. Teremos uma nova economia, baseada em um “mercado” natural de talentos e de dons, no qual o “capital” humano não será mais o ouro ou a moeda que acumulamos, mas a capacidade de servir ao todo em algo no qual sejamos imprescindíveis e únicos.
Todos aqueles que vivem manifestando seus dons e talentos naturais já vivem, de certa forma, nessa economia do futuro. Os que não vivem (a maioria), sentem-se angustiados, exatamente por terem um trabalho que lhes rende moeda mas que os mantém desempregados no plano da alma. O verdadeiro “emprego” é aquele para o qual nada necessitaríamos receber para realizar.
A transição para uma “economia do ser” não será por decreto, uma ação de cima para baixo, um “pacote” macro-econômico. Será uma decisão pessoal. Isso é muito bom, pois bastará querer para se libertar. Basta escutar a voz do coração e fazer aquilo que nossa alma e nosso coração pedem que seja feito. Não é simples?
Talvez você pense que não poderá sobreviver (monetariamente) dessa forma. Obviamente, não se trata de sair largando empregos. Porém, caso comecemos a dedicar parte de nosso tempo e energia àquilo que nos pede nossa alma, com certeza, muito antes do que imaginamos, a vida nos mostrará novos caminhos de auto-subsistência.
É assim que acontecerá a mudança, de dentro para fora, suavemente, como uma borboleta que sai, na hora certa, de sua crisálida apertada. A mudança não virá através de uma revolução, nem será conduzida por um partido ou por líderes religiosos ou políticos. Esqueçamos esta velha agenda masculina. A verdadeira mudança é pessoal. Não precisamos mudar o mundo, apenas a nós mesmos.
À medida em que todos estiverem “empregando” seus verdadeiros dons, o capital e a moeda tornar-se-ão progressivamente desnecessários, pois o progresso será naturalmente promovido pela união sinfônica das almas. O crescimento não será mais horizontal, acumulativo e quantitativo, mas vertical (para o alto). O conceito de “trabalho”, de algo duro e penoso, será convertido em sacramento, em celebração da vida, pois a própria vida converter-se-á em prazer, alegria e arte.
Sabemos que cada instrumento tem o seu devido lugar em uma orquestra sinfônica. Agora, imaginem como seria a música se os instrumentos usassem afinações diferentes e competissem entre si ao invés de harmonizassem-se em acordes e escalas? Haveria música? Certamente não. Então, como poderá haver sociedade quando se incentiva a vaidade, o egoísmo e a competição? Para haver harmonia é preciso que estejamos sinfonicamente integrados e afinados pelo diapasão maior, o Amor, o único que nos afina com o nosso espírito.
Muitos poderão se perguntar: “Como poderá uma nova ordem econômica e social como essa prosperar?” Para responder a essa pergunta sugiro que reflitamos... Do que vivem os pássaros do céu? Que energia abastece as estrelas e move as galáxias? Acaso não existirão leis cósmicas eternas que também possam gerir de forma harmônica e sinfônica a natureza humana e suas relações sociais?
“Sim, mas... que profeta ditará tais leis para nós?” As canções do Amor já estão aqui, circulando em nosso sangue onde foram gravadas pelo esforço e sacrifício de muitos. (um instante de silêncio e agradecimento...) Em virtude disso, chegou a hora de cada homem e de cada mulher ser seu próprio dirigente, seu próprio mestre e guru. Para isso, basta abrir os arquivos da luz em nossos glóbulos sanguíneos e deixarmos nosso coração falar com nossa mente e a verdadeira sabedoria atuar.
Sim, eu sei o que você está pensando... Porém, acredite, não é uma utopia! Não estamos falando de sonhar com o impossível, com uma meta fora de nós mesmos. Será utopia querer ativar algo que já está dentro de nós e sermos o que realmente somos? Quando começarmos a descobrir a maravilha que é viver em “sinfonia” e como é bom (e mais simples) viver manifestando o próprio ser e sendo abastecido de tudo apenas por existir, não haverá força capaz de frear o nascimento dessa nova era.
Também não estamos falando de um retorno a um mundo pré-tecnológico. Ao contrário! Caso escutemos o que nos ensina com amor e atenção a mãe natureza, novas e surpreendentes descobertas e tecnologias, muito além da nossa imaginação, certamente estarão disponíveis àqueles que as merecerem usar.
Porém, tudo começa dentro de você. Não espere por nenhum líder ou guru. O futuro está aberto e é de todos. O regente dessa sinfonia humana não é outro senão a sua própria consciência íntima e pessoal das leis do Amor universal, da sua igualdade perante a todos no universo e do seu sagrado direito de viver e de ser feliz.
O novo nos chama! Não nos agarraremos aos escombros do velho mundo. Devolvamos aos poucos (sem violência, radicalismos e respeitando nosso ritmo pessoal) a César o que é de César. Em breve o que é dele valerá muito pouco... Comecemos a investir, pouco a pouco, nosso capital humano, nossos dons, nosso entusiasmo e energia em outros projetos, em outra agenda, uma agenda do ser, do sentir, do amar, do conviver!
Com amor,
M. R. Menezes
(Maestro, compositor e escritor. Autor
do romance “A Gruta - Memórias da Amada Imortal”)
Sim, é no mergulho interior que podemos escutar a sinfonia magistral do Pai e sermos cocreadores de novos mundos. O Universo é som, música, nós somos sons e música, precisamos afinar nossa orquestra interna para podermos nos afinarmos com os universos exteriores. |